Carlos Antonio Alves
Eloisa Maria dos Santos
Sidnei da Costa
Com a busca de soluções e novas tecnologias, a expansão do parque e recursos de informática, o aumento considerável de equipamentos instalados, a modernização da rede e do sistema de correio no Metrô de São Paulo, tornou-se crescente a necessidade dos clientes por utilização de dados e de desenvolvimento de aplicações mais sofisticadas.
Os recursos utilizados anteriormente nos ambientes departamentais eram considerados muito básicos, criados através de planilhas ou de bancos de dados que eram utilizados de forma pessoal, isto é, os dados eram gravados na máquina do cliente e não em um servidor, sem compartilhamento com outros clientes, além de não possuírem back-up e manutenção, ficando os dados disponíveis apenas no momento em que a máquina do cliente estava ligada, o que deixava em risco a segurança e a disponibilidade dos dados (Figura 1).
Outro problema enfrentado era que os dados corporativos eram redigitados de forma particular em cada sistema, com o tempo esse tipo de informação tornava-se defasada e comprometia a integridade, além do retrabalho de digitação. As consultas ao ambiente corporativo eram realizadas diretamente nos bancos de dados corporativos, concorrendo com as transações comerciais, ocasionando acúmulo de acessos, resultando em demora ou até uma possível interrupção do serviço, gerando muita manutenção e pouca disponibilidade aos clientes.
Visando melhor atender esse aumento de demanda, optou-se por disponibilizar serviços em servidores departamentais com um banco de dados que pudesse ser administrado por especialistas, garantindo a segurança, manutenção e a confiabilidade.
Para suprir tal necessidade, a partir da diretriz de utilização de Softwares Livre adotada no Metrô de São Paulo, foram realizados estudos com o objetivo de eleger um banco de dados, entre os disponibilizados como livres que atendesse as necessidades dos clientes com qualidade.
Fatores como tempo, custo, facilidade de utilização e integração, no final de 2001, influenciaram na escolha do SGBD PostgreSQL, que é um sistema gerenciador de banco de dados objeto relacional (SGBDOR), desenvolvido como projeto software livre nascido na Universidade de Berkeley, nos anos 80, como um projeto acadêmico mantido pela comunidade Open Source.
A complexa arquitetura de dados corporativos existentes no Metrô de São Paulo, sedimentada em diferentes plataformas como o Mainframe, Windows e Linux, e os bancos de dados IBM/Db2, Oracle, SQLServer, PostgreSql e DBFs foi integrada através de um sistema possibilitando que os dados corporativos fossem distribuídos para um ambiente departamental ( Figura:2 ).
Fig. 2: Ambiente de Integração
O sucesso da utilização de banco PostgreSQL no contexto departamental e as experiências adquiridas pelos gestores dos bancos, possibilitaram a implantação de um servidor para acesso externo (extranet), um servidor corporativo e um servidor para sistemas de metodologia BI (Business Intelligence (Figura 3), utilizando o banco PostgreSQL . (Figura 4 ).
Fig. 3: Projetos de Business Intelligence
Fig. 4: Ambientes Departamentais e Corporativos
Este valor decorre da combinação das economias:
a) se na implantação do PostgreSQL fosse utilizado um SGBD proprietário, como por exemplo, o Oracle, com o cenário atual de 22 bancos PostgreSQL, o custo poderia atingir US$990 mil, em aquisições de licenças de uso;
b) com a implantação do PostgreSQL, cerca de 1.000 usuários foram diretamente beneficiados. Assim, 1.000 licenças Access deixaram de ser adquiridas ou atualizadas, o que significa um custo de até US$300 mil.
Hoje, a economia com a não contratação de manutenção de licenças Oracle está em torno de US$200mil/ano.
Esta solução, fruto da dedicação e muito estudo por parte dos envolvidos que tiveram a ousadia de acreditar e utilizar um banco de dados que no momento era pouco conhecido no mercado e, com muito esforço, possibilitou a disponibilização dos dados de uma forma democrática e com segurança ( Figura 5 ).
O desenvolvimento rápido da tecnologia fez com que se abrisse um canal muito fluente de informações, a capacidade empreendedora das áreas envolvidas e a filosofia de desenvolvimento cooperativo adotado pela comunidade de software livre propiciou seu processo de aperfeiçoamento contínuo para a melhoria e um modelo de qualidade de processos voltada para a realidade do Metrô de São Paulo.





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