Hugo Cássio Rocha
Jelson S. Siqueira
Massaru Takeuchi
1. Histórico
Desde o primeiro contrato, até por mais de 30 anos, a Cia do Metrô promoveu a implantação de suas linhas através de “Contratos por Preço Unitário”, onde eram fornecidas à Contratada todas as Normas Técnicas, Especificações de Serviços, com todo o detalhamento de como executar cada serviço. A equipe técnica de fiscalização do Metrô, engenheiros, técnicos e topografia, acompanhavam e liberavam por escrito a execução de cada etapa dos serviços.
Para a implantação da Linha 4 do Metrô, foi estabelecida nova modalidade de contrato. O modelo adotado foi o de “Turn-key” ou Empreitada Integral, onde a equipe técnica de fiscalização do Metrô acompanharia a execução dos serviços, sendo que a aceitação se daria por evento. Assim, não haveria mais liberação por etapas de serviços pela fiscalização. A comunicação oficial entre Metrô e Contratada ficaria exclusivamente a cargo do Gerente do Projeto (Metrô) e Gerente da Contrato (Contratada), não tendo sido definido como os níveis técnicos registrariam e oficializariam comunicações.
Jelson S. Siqueira
Massaru Takeuchi
1. Histórico
Desde o primeiro contrato, até por mais de 30 anos, a Cia do Metrô promoveu a implantação de suas linhas através de “Contratos por Preço Unitário”, onde eram fornecidas à Contratada todas as Normas Técnicas, Especificações de Serviços, com todo o detalhamento de como executar cada serviço. A equipe técnica de fiscalização do Metrô, engenheiros, técnicos e topografia, acompanhavam e liberavam por escrito a execução de cada etapa dos serviços.
Para a implantação da Linha 4 do Metrô, foi estabelecida nova modalidade de contrato. O modelo adotado foi o de “Turn-key” ou Empreitada Integral, onde a equipe técnica de fiscalização do Metrô acompanharia a execução dos serviços, sendo que a aceitação se daria por evento. Assim, não haveria mais liberação por etapas de serviços pela fiscalização. A comunicação oficial entre Metrô e Contratada ficaria exclusivamente a cargo do Gerente do Projeto (Metrô) e Gerente da Contrato (Contratada), não tendo sido definido como os níveis técnicos registrariam e oficializariam comunicações.
Figura 1- Execução de Concreto projetado em túnel NATM
2. Toró de Idéias
Para estudar e definir como fazer a gestão, houve várias reuniões entre as equipes técnicas do Metrô, quando cada um expunha suas idéias para discussão e avaliação. Assim, o engenheiro chefe da obra, colocou a possibilidade de registros de oficialização dos serviços através do controle de qualidade, por meio de “fichas de conformidade”
.
Este modelo havia sido apresentado em um congresso, do qual participaram os engenheiros Jelson (coordenador de obra) e Jackson (chefe da obra). Não confundir com dupla sertaneja!!!!!
Foi efetuada uma utilização piloto da “ficha de conformidade“ durante a implantação do “Shopping“ Santa Cruz, empreendimento associado do Metrô de São Paulo.
3. Formatação da Ficha
Após a definição e aceitação pelo grupo de estudo do modelo de ficha de conformidade, foram realizadas reuniões com toda a equipe de fiscalização, difundindo a idéia e definindo tarefas visando uma aceitação de mudanças e o comprometimento da equipe.
Estas tarefas foram divididas em equipes com o objetivo de se montar uma ficha com ítens de verificação contendo as partes principais de acompanhamento para cada tipo de serviço e uma ficha resumida, a qual seria enviada à Contratada, dividida em ítens que contemplassem conformidades antes do início dos eventos, durante os eventos e após a conclusão destes.
Figura 2- Execução de impermeabilização com membrana de PVC em túnel NATM
4. Implantação do Processo
Com o início da obra, procedeu-se também a emissão das fichas de conformidade e de protocolo junto à Contratada.
Com o início da obra, procedeu-se também a emissão das fichas de conformidade e de protocolo junto à Contratada.
As fichas emitidas eram específicas para relatarem anomalias nos eventos, não sendo emitidas quando o processo não apresentava anomalias, ou seja, a ficha apesar de denominada “de conformidade” só indicava não-conformidades.
4.1 Os primeiros problemas surgiram:
Começou a haver uma banalização e falta de credibilidade no modelo, devido: à grande resistência às mudanças decorrentes de mais de 30 anos seguindo um mesmo modelo; à falta de confiabilidade no processo e a falta de procedimentos claros e oficiais para a emissão de fichas de quaisquer assuntos projetos ou procedimentos executivos.
A equipe de fiscalização emitia as fichas de conformidade à Contratada, a qual não respondia e nem emitia qualquer satisfação, o que viria a acarretar, durante algum tempo, uma grande desconfiança no sucesso do modelo.
4.2 O primeiro impacto do uso da ficha.
Com a necessidade de aprovação de uma medição de um valor relativamente alto, vislumbrou-se uma grande chance de fazer valer a força da fiscalização através da utilização das fichas.
A aceitação de um evento e, conseqüentemente a liberação do pagamento, estariam vinculadas à necessidade de que todas as anomalias apontadas nas fichas estivessem respondidas e corrigidas.
Como um dos eventos não se encontrava em conformidade, não foi liberado o pagamento, causando elevado nível de insatisfação e grande reação negativa por parte da Contratada.
A partir de então, as fichas passaram a ser analisadas com maior atenção por parte da Contratada. Temendo novos cortes em medições, a Contratada solicitou que antes da emissão das fichas, a fiscalização deveria procurar manter primeiramente, um contato verbal, seguido de uma correspondência eletrônica e, só então, caso não fosse atendida, emitiria a ficha caracterizando a anomalia.
4.3 A conscientização final e respeito à ficha:
Infelizmente no dia 12 de Janeiro de 2007, houve um acidente, na escavação da futura Estação Pinheiros, de grandes proporções, com 7 vítimas fatais e de repercussão internacional.
A opinião pública e as autoridades civis envolvidas colocaram então em dúvida a competência e a efetividade da fiscalização da obra pelo Metrô. Tal tema foi exaustivamente explorado pela mídia, políticos, sindicatos e Ministério Público.
A partir da apresentação das fichas, conseguiu-se explicar, em detalhes, e a todos os stakeholders: o Modelo de Contrato vigente, as reais atribuições de responsabilidades, e as fichas comprovaram efetiva atuação da fiscalização.
5. Conclusão
Desde o acidente, todos os envolvidos na construção da obra ficaram muito conscientes e receptivos à utilização da ficha, a qual passou a ser denominada o “DNA da obra”. Passou-se então a emitir também, fichas de conformidade, ou seja, registramos todos os eventos diariamente, seja com conformidade, seja com não-conformidade.
Exemplo:
Abaixo é apresentada uma ficha de conformidade utilizada em 14/12/07 acompanhada de fotos do local
5. Conclusão
Desde o acidente, todos os envolvidos na construção da obra ficaram muito conscientes e receptivos à utilização da ficha, a qual passou a ser denominada o “DNA da obra”. Passou-se então a emitir também, fichas de conformidade, ou seja, registramos todos os eventos diariamente, seja com conformidade, seja com não-conformidade.
Exemplo:
Abaixo é apresentada uma ficha de conformidade utilizada em 14/12/07 acompanhada de fotos do local




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