Vale a pena ler o resumo do artigo da crise econômica, na ótica do ganhador do prêmio Nobel em economia, Paul Krugman
Brotos e raios de esperança
Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), vê "brotos verdes". O presidente americano, Barack Obama, vislumbra "raios de esperança". E o mercado acionário experimenta um desafogo.
Então, terá chegado o momento de achar que o pior já passou? Aí vão quatro razões para se ter cautela com o panorama econômico.
1. As coisas ainda estão piorando. A produção industrial acabou de atingir o ponto mais baixo em 10 anos. A construção de moradias continua extremamente fraco. As execuções hipotecárias, que despencaram enquanto as companhias hipotecárias esperavam detalhes dos planos imobiliários da administração Obama, estão crescendo novamente. O máximo que se pode dizer é que há sinais esparsos de que as coisas estão piorando mais lentamente - que a economia não está despencando tão depressa como antes. E eu quero dizer esparsos: a última edição do Livro Bege, a pesquisa periódica do Fed sobre as condições de empresas, reporta que "5 dos 12 distritos notaram uma moderação no ritmo do declínio". Viva!
2. Algumas boas novas não são convincentes. A notícia mais positiva nos últimos dias veio dos bancos, que estão anunciando lucros surpreendentemente bons. Mas alguns desses relatórios de lucros parecem um pouco... curiosos. O Wells Fargo, por exemplo, anunciou seus melhores lucros trimestrais de todos os tempos. Mas o ceticismo vem naturalmente nessa era de Madoff (o ex-presidente da Nasdaq, que está no epicentro de uma das maiores fraudes dos EUA, que pode chegar a US$ 50 bilhões).
3. Ainda podem chegar outras notícias ruins. Mesmo na Grande Depressão, as coisas não foram diretamente para o fundo. Houve, em particular, uma pausa na queda depois de aproximadamente um ano e meio - onde estamos agora. Mas em seguida veio uma série de falências de bancos nos dois lados do Atlântico, combinada com algumas medidas políticas desastrosas à medida que países tentavam defender o moribundo padrão ouro e a economia mundial despencava de outro penhasco. Isso poderia acontecer de novo? Bem, os imóveis comerciais estão em péssima condição, os prejuízos com cartões de crédito estão crescendo e ninguém sabe quão ruins vão ficar as coisas no Japão e no leste da Europa. Não se surpreendam se o desemprego continuar crescendo até 2010. Por quê? Recuperações em forma de "V", em que o emprego se recupera rapidamente, só ocorrem quando há muita demanda reprimida. Mas é improvável que ocorra rapidamente.
Então, agora que deixei todo o mundo deprimido, qual é a resposta? Persistência. A história mostra que um dos maiores perigos políticos diante de uma recessão econômica severa é um otimismo prematuro. Franklin Roosevelt respondeu a sinais de recuperação cortando a Works Progress Administration (agência do governo para geração de empregos na Depressão) pela metade e elevou os impostos; o Japão afrouxou seus esforços na metade de sua década perdida, garantindo outros cinco anos de estagnação.
Os economistas da administração Obama compreendem isso. Eles dizem todas as coisas certas sobre manter o curso. Mas existe um risco real de que as conversas sobre brotos verdes e raios de esperança alimentem uma perigosa complacência. Então, aqui vai meu conselho tanto ao público como às autoridades: não contem com as recuperações antes de elas terem chocado.
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