A implantação de uma obra de sinalização ou intervenção na via pública traduz-se numa série de impactos sobre a estrutura urbana, positivos ou negativos, de acordo com as circunstâncias e condicionantes de cada etapa da referida implantação.
É responsabilidade dos órgãos planejadores das obras e do tráfego, o estudo dessas condicionantes a fim de prever a ocorrência e intensidade desses impactos, viabilizar diretrizes e providências que traduzidas na implantação de projetos, darão o apoio operacional e informação a comunidade envolvida, minimizando os impactos negativos e maximizando os impactos positivos, de modo a obter o maior retorno possível dos benefícios oriundos do investimento realizado.
No âmbito do sistema viário os impactos observam-se em dois momentos distintos, cada um com características peculiares e condicionantes próprias.
O primeiro deles ocorre durante a fase de obras, em que a estrutura viária, que atende uma demanda de tráfego sofre restrições, em virtude do estabelecimento dessas obras.
O segundo momento de impacto dá-se ao término das obras, ocasião em que é devolvida à sociedade a estrutura urbana original. Impõe-se portanto, a readequação do sistema e da sinalização viária da região afetada.
Na implantação da Estação Imigrantes da Linha 2- Verde, o Metrô fez um estudo e elaborou um projeto básico para um novo viário, que atendesse às necessidades da futura estação.
Sabia-se que o local da Estação Imigrantes era de grande fluxo de tráfego, pois a mesma seria posicionada entre duas vias de grande importância: Rua Vergueiro e Avenida Ricardo Jafet, e que o volume de tráfego seria aumentado por conta do pólo gerador advindo da própria Estação.
O posicionamento físico da Estação trouxe os suprimentos: da rua Santo Eugênio Olivi e alguns movimentos de tráfego, que utilizavam essa rua para acessar a rua Saioá, o Viaduto Saioá e a rua Vergueiro.
O Metrô então desenvolveu um projeto básico de um novo viário, atendendo e repondo a logística de circulação viária da área e o submeteu à aprovação da Secretaria de Infra Estrutura Urbana -SIURB e à Companhia de Engenharia de Tráfego- CET.
A Companhia de Engenharia de Tráfego ao analisar o projeto viário do Metrô, informou que o Metrô tinha atendido todas as premissas necessárias para um bom projeto, mas que havia esquecido do “Retorno MP”.
O Metrô então ficou surpreso, pois nunca havia ouvido falar sobre “Retorno MP”. Não estava no Código Nacional de Trânsito. Não estava em nenhum Manual. O que seria isso? O que estava faltando em nosso projeto viário? Por que o projeto não tinha sido aprovado?
Para efetivar a aprovação do projeto, o Metrô solicitou uma reunião urgente com a CET, para que fosse esclarecido o tal “Retorno MP” , para incorporação do mesmo, em nosso projeto .
Então a CET explicou que apesar de pitoresco, é muito freqüente, próximo às estações de Metrô e no período da manhã, que algumas mulheres levem de carro, seus maridos ( companheiros...) ao Metrô. Só que fazem isso de pijama, pois pretendem ainda voltar para suas respectivas camas.
Como essa condição de “apresentação” é precária, elas deixam seus maridos na porta da estação e procuram retornar o mais rápido possível, usando vias próximas à estação.
A “Mulher de Pijama” tem pavor de ser descoberta e de situações imprevistas, como pneu furado, carro quebrado, ser vista pela vizinha fofoqueira... a experiência e a estatística comprovam que se não existir um retorno oficial e próximo, as mesmas fazem com seus carros, manobras inéditas, radicais e arriscadas, pondo em risco toda a segurança do viário local.
A partir daí, o Metrô sempre que desenvolve um projeto viário próximo alguma estação, compatibilizando e adequando o mesmo com as necessidades de tráfego e transporte da região, mantendo satisfatórios os níveis de fluidez, segurança e conforto para veículos e pedestres, incorpora o retorno da “mulher de pijama”, que até já ganhou um nome técnico como “Retorno MP”.
Desenho do local onde foi implantado o RETORNO MP
Foto do local onde foi implantado o RETORNO MP
Participaram dessa história os engenheiros Ricardo e João Luís, da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET e Ana Lucia Marinelli Meira e Noel João Mendes Cossa, da Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô SP.



Um comentário:
Imagino que esse problema se agrave no verão, onde as mulheres temem ser pegas de calça curta...
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