Glauco Fernandes Lopes
O METRÔ-SP é uma empresa de transporte público com excelente desempenho operacional. Para obter esses altos índices de desempenho, a infra-estrutura de manutenção, assim como a melhoria contínua dos processos de manutenção, estão sempre presentes.
Todos os equipamentos envolvidos na prestação do serviço de transporte , muitas vezes imperceptíveis aos usuários, recebem constantes intervenções de manutenção, programadas por tempo pré-determinado, horas de funcionamento ou por quilômetro percorrido.
Essas informações de periodicidades associadas as atividades a serem executadas nas intervenções, formam o chamado plano de manutenção preventiva dos equipamentos.
Por mais que se aplique com rigor esses planos de manutenção, nada garante que falhas imprevistas ocorram, acarretando intervenções chamadas de corretivas e que geram fortes interferências na operacionalidade do sistema como um todo.
Buscando otimizar recursos, custos e garantir maior disponibilidade dos equipamentos, o Metrô está introduzindo um novo conceito em sua manutenção: A manutenção Centrada em Confiabilidade – RCM ( RELIABILITY CENTERED MAINTENANCE ) , tecnologia desenvolvida e utilizada na manutenção de aeronaves.
O RCM define o que se deseja em termos de risco (segurança e integridade), qualidade (precisão, exatidão, consistência e estabilidade), controle, economia e outros aspectos funcionais relevantes.
Para tanto, é necessário identificar as maneiras na qual o equipamento ou sistema pode falhar no atendimento às expectativas (estados de falha), bem como avaliar através do FMEA ("Failure Modes and Effects Analysis", isto e, “Modos de Falha e Analise de Efeitos”), os eventos que são razoavelmente prováveis de originar cada estado de falha, procurando identificar uma estratégia adequada de gerenciamento, lidando com cada modo de falha e as suas conseqüências e características.
As estratégias para o gerenciamento da falha incluem:
1 Manutenção preditiva (manutenção sob condição);
2 Manutenção preventiva (restauração ou substituição);
3 Busca de falha;
4 Mudança do projeto ou da configuração do sistema;
5 Mudança do modo como o sistema e operado;
6 Convivência com a falha.
Assim, a metodologia do RCM oferece regras poderosas para decidir se cada política de gerenciamento é tecnicamente apropriada. Também proporciona critérios precisos para decidir e otimizar a periodicidade das tarefas e rotina da manutenção.
Com o intuito de avaliar a aplicabilidade do método RCM, a gerência de manutenção do Metrô-SP elegeu inicialmente dois equipamentos para sua validação, Caixa à Margem da Via (CMV) e Linha de Bloqueio (mais conhecido como catracas eletrônicas).
A Caixa à Margem da Via (CMV) é um equipamento eletrônico, instalado ao longo da via férrea, que transmite os códigos de velocidade para serem decodificados e seguidos pelos trens e envia informação a outro subsistema para detecção de ocupação dos trens nos circuitos de via.
As CMV´s fazem parte do ATP (Automatic Train Protection), que é um sistema vital que possibilita o tráfego seguro de trens num trecho da via e transfere informações de tráfego para os trechos de via adjacentes. Denomina-se “trecho de via” uma subdivisão da linha controlada por uma estação mestra (estação que detém os equipamentos de controle).
São executados basicamente atividades de MP- Manutenção Preventiva, que compreende limpeza e ajuste dos sinais das caixas e Inspeção visual.
A MP tem periodicidade de 2 anos para caixas instaladas em túnel e 6 anos para caixas instaladas a céu aberto. A inspeção tem periodicidade de 2 anos para todas as caixas, exceto para as caixas instaladas em elevados cuja periodicidade é 6 meses. A CMV's dos pátios de manobras tem periodicidade de 2 anos .
A partir da definição da estratégia de manutenção adotada, foi desenvolvido o novo plano de MP baseado nas atividades obtidas através do estudo de RCM.
A seguir podemos analisar os ganhos desta implementação no sistema CMV.
Quadro Comparativo I
Parte integrante do SCAP - Subsistema de Controle e Arrecadação e Passageiros, o qual é responsável pela contagem e tarifação dos usuários que se utilizam do sistema metroviário, fornecendo dados de cunho contábil, dados para controle em outros sistemas como trens e escadas rolantes e dimensionamento para projetos futuros, visando a ampliação da malha metroviária.
O Plano de manutenção preventiva é baseado em classes de utilização, ou seja, os bloqueios com maior freqüência de utilização sofrem maior número de intervenções de manutenção preventiva em relação aos de menor freqüência , porém não individualizados.
O Plano de manutenção baseado em RCM, individualizou a intervenção em cada bloqueio, de acordo com sua utilização, focando a realização das atividades necessárias no momento certo.
A partir da definição da estratégia de manutenção adotada, foi desenvolvido o novo plano de MP baseado nas atividades obtidas através do estudo de RCM, o que resultou na situação apresentada no quadro abaixo:
Com os bons resultados obtidos nestes dois sistemas, a Gerência de Manutenção do Metrô, está ampliando a aplicação da manutenção centrada em confiabilidade (RCM) a outros sistemas que contribuem para a continuidade dos serviços prestados a população de São Paulo, sempre avaliando a oportunidade da aplicação onde a criticidade ou os custos envolvidos justifique sua aplicação.
Fonte:- Referências sobre o RCM.
SQL Brasil RISK & RELIABILITY MANAGEMENT
Relatório Técnico do Departamento de Engenharia de Manutenção
Apresentação Técnica no fórum da AEAMESP





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